domingo, 2 de outubro de 2011

Ligando pontos!

Os dias vão se findando aparentemente de forma imperfeita.
As despedidas cotidianas se repetem sem parar.
Muita coisa e perde, enquanto eu fico olhando para trás.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os pedidos.

Foto de Patricia Scarione.

Os pedidos foram feitos aos deuses enquanto os olhos se cansavam de esperar.  E o estomago ainda doía.
A casa  estava toda modificada. Os quartos perderam as portas e o banheiro ficou fechado por muito tempo e os moveis se esconderam atrás da poeira.

Ela se espantou quando abriu o portão. Viu que havia acontecido mudanças e que o tempo havia parado (apenas dentro do coração dela). 

O calor incomoda e explode os pensamentos dele, um pouco antes do entardecer. Sozinho, ele faz um brinde imaginário. Lembrando das aquarelas, dos desenhos mostrados no ônibus, do balanço, das formas. As pessoas indo de um lado para outro. Os ruídos do motor, que se confundem com o som, da cena de um filme antigo e triste. Lembra das conversas sobre literatura russa, Tolstoi, Nabokov... Das conversas sobre literatura francesa: Sthendal, Sant Exupéry ou sobre qualquer outra coisa.
Ele se recorda de quase tudo, as imagens não tem mais som, ele sabe, e elas não dizem muita coisa agora, pois as movimentações cotidianas arrastaram os corpos de lugar. O corpo esqueceu as sensações. Ele bebe um pouco de cerveja para aliviar a cabeça, enquanto o coração arde por uma ausência sem fotografia. As suas sensações costumam variar no entardecer, nesta variação de cores entre os dois mundos ele se encontra com a cabeça dissolvendo novamente as formas, repete frases, tentar alinhar o olhar para a linha do horizonte para ter uma referência. Não possui trilha sonora e nem metafísica, apenas o sino em seis badaladas incomodantes.Nunca acreditou em fanstamas, mas enquanto escreve e eles começam a surgir nas paredes, nas lembranças, nos sentidos. A madrugada volta a ser insone, a libido seca no corpo enfraquecido pelo calor. O prazer de pensar o angustia.
Precisa de um pouco de ar, de uma fotografia, de uma roupa nova, precisa de um relógio para marcar o tempo.Andar pelas ruas de madrugada e gritar algum nome, mudar as cores do rosto, mudar o formato dos óculos. Cruzar frases, acreditar mais nos adjetivos, andar pelas ruas sem identidade. Ficar ereto ao som das vozes delicadas e com sotaques. Não quer mais as despedidas, as discussões cotidianas, precisa de mais álcool, de acender um cigarro.
E enquanto isto, um cachorro late sem dono e uma criança chora desolada...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Navio.

Foto Patricia Scarione.
Os navios na linha do horizonte despertavam nele uma sensação de melancolia. Na maioria dos seus desenhos e poemas havia citações de navios. Quando os via,  no horizonte ou no porto, ele ficava imaginando de onde eles estariam vindo ou para onde eles iriam.

Alguns nomes ele memorizava quando via os navios atracados no porto. Gostava de passear sempre ao entardecer, bem perto da linha do mar quando o sol se mostrava fraco, pois um sentimento de eternidade invadia o seu coração trazendo esperanças, para um amanhã, que até então para ele era impreciso.

Ele pensava que o navio era grande e forte perante ele, porém frágil em relação ao mar que ele atravessava. Pensava nisto, nas viagens aos mares do sul e ao do norte que o navio podia fazer.

Apenas, a capacidade de atravessar os mares o fascinava. Pensava ser um oceano de desejos, e que já começa grande como o mar. Ele se assustava com o seu oceano anterior, com as suas tormentas, com seus desejos sensuais. Ele precisava ser navegado, precisava que alguém não tivesse medo de suas águas.
Sonhava com o dia que alguém pudesse navegar em seu oceano interior. Isto por anos, foi seu romance. Leu sobre beijos, sobre sexo, sobre a diferença da paixão e do amor. Achava engraçado como a paixão era descrita pelas pessoas com algo violento e sem pudor, que sempre embaraça e desequilibrava a vida das pessoas. O  amor era uma coisa brega, sem sentido, e que sempre acaba na frente de uma televisão, de chinelão e pijama... Ou procurando alguém para sexo casual.

Perdeu a virgindade de forma desinibida, mas sem prazer, sem alma, apenas com uma mascara de látex. Em um lugar que havia cheiro de sexo nos lençóis personalizados. E fios cabelos espalhados. Ele se interessava rapidamente pelos corpos, logo se acostumou com o látex e com inúmeros cenários inusitados que lhe eram propostos.

Queria sentir o prazer, uma vez que não conseguia sentir nada atravessar a linha do corpo. Nem as marcas que advêm dos corpos ferozes no ato sexual, e nem os xingamentos e as promessas que as parceiras faziam.

Elas podiam ter olhos grandes ou pequenos, serem baixas ou altas, serem cultas ou não. Ele havia se acostumado com a familiaridade do corpo feminino. Queria apenas sentir o prazer dos corpos.Mas, sabia  depois do encontro ele voltaria muito mais vazio...Vendo as amantes dormirem exaustas de prazer, enquanto ele as assistia inquieto, esperando elas acordarem para irem embora... E ele entrar em nova rua com nome desconhecido perto do mar.