quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os pedidos.

Foto de Patricia Scarione.

Os pedidos foram feitos aos deuses enquanto os olhos se cansavam de esperar.  E o estomago ainda doía.
A casa  estava toda modificada. Os quartos perderam as portas e o banheiro ficou fechado por muito tempo e os moveis se esconderam atrás da poeira.

Ela se espantou quando abriu o portão. Viu que havia acontecido mudanças e que o tempo havia parado (apenas dentro do coração dela). 

O calor incomoda e explode os pensamentos dele, um pouco antes do entardecer. Sozinho, ele faz um brinde imaginário. Lembrando das aquarelas, dos desenhos mostrados no ônibus, do balanço, das formas. As pessoas indo de um lado para outro. Os ruídos do motor, que se confundem com o som, da cena de um filme antigo e triste. Lembra das conversas sobre literatura russa, Tolstoi, Nabokov... Das conversas sobre literatura francesa: Sthendal, Sant Exupéry ou sobre qualquer outra coisa.
Ele se recorda de quase tudo, as imagens não tem mais som, ele sabe, e elas não dizem muita coisa agora, pois as movimentações cotidianas arrastaram os corpos de lugar. O corpo esqueceu as sensações. Ele bebe um pouco de cerveja para aliviar a cabeça, enquanto o coração arde por uma ausência sem fotografia. As suas sensações costumam variar no entardecer, nesta variação de cores entre os dois mundos ele se encontra com a cabeça dissolvendo novamente as formas, repete frases, tentar alinhar o olhar para a linha do horizonte para ter uma referência. Não possui trilha sonora e nem metafísica, apenas o sino em seis badaladas incomodantes.Nunca acreditou em fanstamas, mas enquanto escreve e eles começam a surgir nas paredes, nas lembranças, nos sentidos. A madrugada volta a ser insone, a libido seca no corpo enfraquecido pelo calor. O prazer de pensar o angustia.
Precisa de um pouco de ar, de uma fotografia, de uma roupa nova, precisa de um relógio para marcar o tempo.Andar pelas ruas de madrugada e gritar algum nome, mudar as cores do rosto, mudar o formato dos óculos. Cruzar frases, acreditar mais nos adjetivos, andar pelas ruas sem identidade. Ficar ereto ao som das vozes delicadas e com sotaques. Não quer mais as despedidas, as discussões cotidianas, precisa de mais álcool, de acender um cigarro.
E enquanto isto, um cachorro late sem dono e uma criança chora desolada...

1 Saídas.:

  1. Já me senti assim, um pouco pensativo no passado e por vezes angustiado sem saber o que é. Talvez um novo dia com mudanças me fará melhor, é sempre o que pensamos. Me fez lembrar os tempos de ouro preto: http://dont-fall.blogspot.com/2007/05/ressenti-o-esforo-desta-pesada_15.html

    a curta época que fumei (não gosto de cigarro) e é claro bebia pra caralho

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