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| Foto Patricia Scarione. |
Os navios na linha do horizonte despertavam nele uma sensação de melancolia. Na maioria dos seus desenhos e poemas havia citações de navios. Quando os via, no horizonte ou no porto, ele ficava imaginando de onde eles estariam vindo ou para onde eles iriam.
Alguns nomes ele memorizava quando via os navios atracados no porto. Gostava de passear sempre ao entardecer, bem perto da linha do mar quando o sol se mostrava fraco, pois um sentimento de eternidade invadia o seu coração trazendo esperanças, para um amanhã, que até então para ele era impreciso.
Ele pensava que o navio era grande e forte perante ele, porém frágil em relação ao mar que ele atravessava. Pensava nisto, nas viagens aos mares do sul e ao do norte que o navio podia fazer.
Apenas, a capacidade de atravessar os mares o fascinava. Pensava ser um oceano de desejos, e que já começa grande como o mar. Ele se assustava com o seu oceano anterior, com as suas tormentas, com seus desejos sensuais. Ele precisava ser navegado, precisava que alguém não tivesse medo de suas águas.
Sonhava com o dia que alguém pudesse navegar em seu oceano interior. Isto por anos, foi seu romance. Leu sobre beijos, sobre sexo, sobre a diferença da paixão e do amor. Achava engraçado como a paixão era descrita pelas pessoas com algo violento e sem pudor, que sempre embaraça e desequilibrava a vida das pessoas. O amor era uma coisa brega, sem sentido, e que sempre acaba na frente de uma televisão, de chinelão e pijama... Ou procurando alguém para sexo casual.
Perdeu a virgindade de forma desinibida, mas sem prazer, sem alma, apenas com uma mascara de látex. Em um lugar que havia cheiro de sexo nos lençóis personalizados. E fios cabelos espalhados. Ele se interessava rapidamente pelos corpos, logo se acostumou com o látex e com inúmeros cenários inusitados que lhe eram propostos.
Queria sentir o prazer, uma vez que não conseguia sentir nada atravessar a linha do corpo. Nem as marcas que advêm dos corpos ferozes no ato sexual, e nem os xingamentos e as promessas que as parceiras faziam.
Elas podiam ter olhos grandes ou pequenos, serem baixas ou altas, serem cultas ou não. Ele havia se acostumado com a familiaridade do corpo feminino. Queria apenas sentir o prazer dos corpos.Mas, sabia depois do encontro ele voltaria muito mais vazio...Vendo as amantes dormirem exaustas de prazer, enquanto ele as assistia inquieto, esperando elas acordarem para irem embora... E ele entrar em nova rua com nome desconhecido perto do mar.

Oi Leo. Gostei de algumas coisas,de outras não. O final ficou bem legal. Abraço, paulo
ResponderExcluirSeria a leveza de um ser? Talvez sentia-se assim por já descobrir a ínfima diferença entre cada mulher em seu ato, com o seu bisturi retirava-se assim uma parte do mundo e se sentia vazio.
ResponderExcluirEsse texto seu me pareceu diferente do seu jeito de escrever, mas sempre a mesma idéia. Alvaro de campos (que na verdade é fernando pessoa) explorava muito essa idéia de navios, mas não pelo lado do sexo, me fez lembrar um pouco, tenho um livro dele. Bem... Amor Fati!